sábado, 12 de maio de 2012

Passarinho

Quando eu penso em você
os passarinhos cantam
e você sorri
que eu sei.


Raquel Sonnenstrahl
Grundstufe
2010

domingo, 15 de abril de 2012

Querer

Queria
querer
o eu
que…

Quero
querer
eu que
o…

Quisesse
querer
que o
eu…

Quisera
que
eu o
queira.

Mas eu não quero mais.


Raquel Sonnenstrahl
Grundstufe
2010

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sonhos

Se os sonhos são pedaços não lineares de nossas vidas,
o que somos nós?
Pedaços ajuntados e alinhados de nossos sonhos?
Sonhos realizados?

Quando estes se realizam, acaba-se a magia
seguimos em função de sonhar de novo,
e o começo de um sonho realizado
é a frustração de ter que recomeçar.

Sonhos alienares, fios atemporais,
que sabe-se lá para onde nos levarão.
Temos apenas a certeza
de que nos levarão para um caminho desconecto,
por entre nosso passado, presente e futuro,
por entre aquilo que fomos e somos, para chegarmos ao que seremos:
seres desconexos, seres alineares, seres confusos,
como os sonhos no despertar do dia.


Raquel Sonnenstrahl
Grundstufe
2008

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Passeio


Duas mãos velhinhas
unidas, passeiam na minha frente
pelas ruas frias
e antigas.

Serão seus sonhos
antigos existentes?
Terão conquistado juntas,
ou nada?

Permanecem andando...
e a permanência
parece existente
como os sonhos, um dia,
pareceram conquistáveis.

Eu, ao longe, devago
se as alcançarei
como ainda não conquistei
os sonhos
antigos, não-existentes; nada.


Raquel Sonnenstrahl
Grundstufe
Janeiro 2012

sábado, 3 de dezembro de 2011

Insomnia


 Abro os olhos e vejo a ovelha
que respira lentamente
embebida em sono profundo

eu não durmo há 3 meses

Fecho os olhos e vejo meu mundo
que gira rapidamente
embebida num medo profundo

 eu não durmo há 3 décadas

Abro os olhos e giro rapidamente
para a parede que está parada
embebida em branco profundo

não durmo há 3 dias?

Fecho os olhos e respiro lentamente
procuro o ar que está parado
embebida num cansaço profundo

não durmo há 3 séculos?


Raquel Sonnenstrahl
Grundstufe
2010

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nublado

Tem uma nuvem cinza
lá fora
e ouço o bater do teclado,
e da coca-cola
que alguém abriu.

A língua que eles falam
é tão estranha.
Não me gusta aprender,
e então me fecho aqui,
nas palavras da minha língua.

 Será que a nuvem me entende?
Ela,
que já deve ter ido lá e que,
como eu, está agora aqui.

 Quero chover para esvaziar
o meu eu
da incompreensão linguística,
e existencial.


Raquel Sonnenstrahl
Grundstufe
2011